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Rambo e o resgate de uma alma

  • Foto do escritor: Agulheiro 310
    Agulheiro 310
  • 3 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Por Agulheiro


Desejar a morte do próximo é a prova cabal da miséria humana. É estar um degrau abaixo da própria inconsciência de ser miserável, atingindo a profundeza absoluta que uma alma, cansada de si, pode chegar. É o abandono e a derrota de si para as mazelas do mundo.

E um indivíduo que se acomoda a este estado, tem seu caráter cristalizado na inconsciência de ser miserável, logo está fadado ao fracasso humano, intelectual e espiritual, perdendo a percepção da realidade, que fica coberta pelas trevas da incompetência de amar o próximo como a si mesmo.

Particularmente vive em um mundo coberto com o lodo da maldade. Dante renegaria qualquer círculo infernal para a alma de tal sujeito repousar, não porque o sujeito não mereça e se ache superior aos que lá estão, mas sim pela insignificância e o vazio da consciência.

Porém, o seu conjunto, corpo físico, alma e espirito é impulsionado pela maldade, ou seja, o mal se apossou do corpo físico (fazendo sua morada), matou o espiritual (acredita-se em si como um deus) e aprisionou a sua alma (tornou-se miserável), utilizando o conjunto, como uma marionete, para elaborar e concretizar suas artimanhas demoníacas sem que você perceba ou concorde, no fim você é mais um prisioneiro que se tornou um instrumento do próprio mal, acredite você ou não.

Em Rambo IV (2008) a evolução do personagem mostra a maturidade da alma, mostrando como diria Henri Agel, que a alma do cinema é o próprio Rambo.

Mas Rambo só alcança tal perfeição depois de muito peregrinar, viver a realidade e ter consciência da própria miséria, chegando a tal ponto de ensinar que Viver por nada ou morrer por algo é a máxima do amor ao próximo. Longe de ser um manual de autoajuda, essa pequena frase, tem o poder de resgatar da miséria a qual nos encontramos, apresentando à nossa consciência o próprio ser miserável que somos e, por fim, tirando o véu das trevas a qual nossa percepção de realidade encontra-se.

Para isso, Rambo necessitou encontrar três elementos para completar o ensinar algo a alguém.

O primeiro é o reconhecimento da própria miséria, buscando ordenar o pensamento e descobrir quem ele é realmente, forjando a si mesmo através de servir com o trabalho braçal ao próximo, conseguindo alcançar a purificação do ser.

No segundo elemento, depois da purificação através do trabalho, a fuga do mundo, de tudo que é superficial e terreno, alcançando o objetivo somente encarando a própria realidade, mantendo-se puro no caos que o mundo tornou-se.

E no terceiro elemento e mais importante de todos, é o resgate da fé, que estava escondida de si em algum calabouço da desesperança, para encontrar, no amor ao próximo, a própria paz.

Mas é evidente que nem todos sobrevivam a esse resgate.



 
 
 

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©2020 Cineclube Agulheiro 310.

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