top of page
Buscar

O LEGÍTIMO TOMISMO.

  • Foto do escritor: Agulheiro 310
    Agulheiro 310
  • 9 de abr. de 2021
  • 3 min de leitura

Por Cineclube Agulheiro



Com algum acerto, pensam aqueles que o tomismo é um sistema filosófico semelhante a um bloco de mármore, onde ou se aceita de tudo, ou se rejeita prontamente. Muito mais que isso, o pensamento de Santo Tomás de Aquino não se resume a uma estrutura lógica perfeitamente ordenada, mas é ao mesmo tempo, sensível e espiritual - sendo cirurgicamente preciso quanto ao estilo e à clareza, pelo menos ao que diz respeito à Suma Teológica: apesar da obra ser monumental, seus artigos e questões resumem argumentos, descartando os menos valiosos. Olhando amiúde, Santo Tomás é um mestre da síntese. Menos retórico ou emocional (diria, menos dado a superlativos) do que tantos pensadores cristãos, o Doutor Angélico fora acusado de aridez por muitos leitores modernos, sensíveis à concatenação da boa lógica que, superficialmente conhecendo sua obra, preferiram desistir de conhecê-la.

Podemos reconhecer que existem estudiosos de Santo Tomás de Aquino que se esforçam, por zelo ou por outras razões, para tornar seu pensamento cada vez menos conhecido, apesar das tentativas de divulgá-lo. Inflando citações intermináveis e se aventurando a um rigorismo frio e perfeccionista, acabam, por consequência, fazendo do tomismo uma doutrina filosófica e teológica incompatível com o mundo moderno, por desejar como o Senhor afirma no Evangelho, se conduzir por questiúnculas farisaicas: agir assim é preferir coar o mosquito e engolir o camelo.

No outro oposto, existe o laxismo desbragado. Misturar Santo Tomás com os maiores arautos da má filosofia é como combinar no mesmo cadinho, a prata e o ouro com o estanho ou o bronze. O brilho e a preciosidade daquilo que é mais nobre, se encobrem entre a densidade e a opacidade de ideias prolixamente intragáveis, que na maioria das vezes não podem ser homogeneizadas quiçá com o catolicismo. Como forma de resguardar o bom tomismo, um dos mais importantes comentadores de Santo Tomás de Aquino, João de Santo Tomás [1] aponta cinco pontos essenciais, que respondem suficientemente onde estão tanto o erro como o acerto. Vamos a eles:


1) Sucessão ininterrupta da tradição dos comentaristas: Não cabe neste curto espaço expor nada além de uma brevíssima relação dos grandes intérpretes do pensamento do Doutor Angélico: Caietano , Bañez, Soto, Bartolomeu de Medina, Capreolo, Ferrariense, Contenson, João de Santo Tomás e os Salmaticenses. Muitos sem traduções modernas e com grande raríssimamente encontrados. Dos modernos: Arintero,Gardeil, Garrigou-Lagrange, Hugon, Sertillanges continuam e preservam a tradição dos comentaristas.

2) Atitude de defender e compreender o tomismo : Cabe ao estudioso a defesa do tomismo ante a qualquer investida de sistema filosófico ou postulado teológico contrário. Mas para defender, devemos compreender, assim conhecer profundamente também o opositor.


3) Zelar pela glória do mestre e não a própria: O estudioso sério deve primeiro expor o pensamento do Doutor Angélico de forma clara e fiel a seu espírito. Nada que inspire a vaidade ou algum desejo de honra pessoal. Nenhum autor é melhor expositor de suas ideais do que ele próprio.


4) Defender sua doutrina, buscando harmonizá-la: Em muitos pontos, Santo Tomás de Aquino deixou opiniões não muito claras a respeito de assuntos periféricos. É dever buscar um arranjo para extrair a opinião mais conveniente, principalmente se tratando de textos de autoria incerta.


5) Maior união em seguir sua doutrina: Um desejo de concórdia e adesão aos postulados do tomismo se reflete em uma postura humilde, silenciosa e coerente.

Conclusão e razões anexas: É indispensável a busca incessante da imitação das virtudes de Santo Tomás, conhecer e vivenciar sua espiritualidade, e nutrir uma sincera devoção.

Santo Tomás de Aquino, Rogai por nós!

[1] Cursus Theologicus , De Approbatione Doctrinae D. Thomae, Art. V In : GOMES, J. P. João de Santo Tomás na filosofia do século XVII. (Biblioteca breve, volume 98). Amadora: Instituto de Cultura e Língua portuguesa / Ministério da Educação, 1985.



 
 
 

Comentários


©2020 Cineclube Agulheiro 310.

  • Facebook B&W
  • Instagram B&W
bottom of page