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A NOVA TEOLOGIA NA ÓTICA DE SANTIAGO RAMÍREZ O.P. (1891 - 1967)

  • Foto do escritor: Agulheiro 310
    Agulheiro 310
  • 9 de ago. de 2021
  • 3 min de leitura

Por Agulheiro


Em um discurso proferido no Ateneo de Madrid em 1958, um dos mais ilustres dominicanos expõe os perigos do que se chamara então de Nova Teologia (Nouvelle Teologie). Um de seus mestres, o ilustre Réginald-Garrigou Lagrange popularizou o termo e auxiliou para a discussão de seus perigos, especialmente com sua colossal obra “Deus: sua existência e sua natureza” onde refuta o agnosticismo moderno com contundência. Nosso expositor (1891 – 1967) foi considerado como um dos mais insignes representantes da ordem de São Domingos no século XX, um mestre cujo espírito se conformava integralmente com o modelo de Santo Tomás de Aquino. Com profunda lucidez, retratara uma profunda crise teológica entranhada de forma subterrânea, mas que gradualmente criara corpo, apesar de todas as tentativas do Magistério de frear sua expansão. A importância desta chamada Nova Teologia reside no fato de sustentar de forma assistemática todo o ensino teológico posterior, tomando de assalto os seminários e quase toda a formação nas instituições católicas. Como uma torrente de novas ideias, nascentes na justificativa débil de que ‘os tempos são outros’ sua semente se encontra no condenado Modernismo, por S. Pio X.

Frei Santiago Ramírez identifica como ponto de partida do pensamento modernista uma visão agnóstica, onde : “A única vida de acesso à verdade é a vida e o sentido da mesma em seu fluir continuo, porém sem sair essencialmente desta, por ser essencialmente imanente”. Assim, o modernismo se configura como objetor de qualquer forma de transcendência. Como fruto de filosofias nascidas e difundidas no mundo moderno, não poderia negar sua origens. Por acaso Nietzsche, Marx, Hegel, Kant ou Bergson poderiam se harmonizar com teologia? A resposta todo católico conhece, como diz o adágio popular: A fruta não pode cair longe do pé. Mas e seus argumentos? Qual é a desculpa para escolher um caminho incerto? pode ser reduzida a uma observação inegável: o mundo se afasta de Cristo, se descristianizou ou se paganizou, como fruto das violentas mudanças do mundo moderno, de fato o diagnóstico não está errado. “ A Igreja, pelo contrário, com sua fé, com seus dogmas e com sua teologia, permanece imóvel e encerrada em si mesma, separada do mundo e afastada da vida terrestre dos homens. O mundo se escapa da Igreja, porque a Igreja se afasta do mundo e não se adapta a ele” Eis o discurso modernista proferido infelizmente, de uma forma comuníssima entre o clero e os leigos de nossa época, magistralmente resumido, e que inclui na terapia do enfermo, doses homeopáticas de veneno. Não no apartemos do mundo, mas infectemos com ele, as coisas santas!

O ponto mais crítico da mentalidade modernista é o espírito do ecumenismo (poder-se ia chamar de irenismo, como não hesita Santiago Ramírez) que sobrepõe toda a vida da Igreja. A caridade se tornou uma caricatura, com a filantropia. “Esta mesma caridade chega a tal indulgência com os inimigos do cristianismo e a tal severidade com a Igreja e seus fiéis servidores”, onde práticas devocionais ou um desejo de maior piedade não são vistas como “ecumenicamente corretas”. Pobres fiéis! Não concordam eles com a unidade forçada com protestantes, comunistas, muçulmanos, muito menos com a visão sacramental como algo simbólico, ou uma mera trivialidades, nem com a primazia do laicato sob o sacerdócio. Como conclui nosso autor, “um catolicismo sem dogmas nem moral não é a Igreja fundada por Jesus Cristo”. Quem se diz católico, não pode acolher o modernismo sob o disfarce de Nova Teologia.




 
 
 

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