Panic in the Streets – das telas do cinema para o "Covid".
- Agulheiro 310

- 11 de jul. de 2020
- 3 min de leitura
Por: Cineclube Agulheiro
O filme é uma trama simples, com personagens simples, porém ao longo da história o ritmo dessa trama vai mudar totalmente.
O filme inicia com um personagem gravemente doente sendo perseguido por dois paspalhões, ou seja, dois bandidos submissos ao rei do crime local. Talvez por causa de uma dívida de jogo a vítima é assassinada. O assassinato vai apresentar para o público quem é de fato o principal bandido a ser perseguido ao longo do filme. Esse acontecimento vai centrar toda a trama unicamente na busca pelos envolvidos do assassinato, que foram os primeiros a ter contato com o personagem-vítima que estava contaminado com o vírus.

Porém, logo depois da vítima ser assassinada, aparece um novo personagem que vai causar uma cisão na velocidade da narrativa e na direção dos fatos, o jovem Dr. Clinton Reed (Richard Widmark), do Serviço Federal de Saúde, que precisa urgentemente controlar uma epidemia, esse fato novo que vai ser o fio condutor de todos os personagens na trama. O filme começa calmo, as cenas são introdutivas e indutivas, cada personagem foi apresentado de acordo com a sua importância dentro do universo fílmico.
Agora o rítmo é acelerado, a tensão já tomou conta do filme e O Pânico nas Ruas é o que o Dr. Clinton vai tentar evitar. O filme é conduzido com acontecimentos rápidos, pois os personagens não podem mais esperar para ver o desfecho final: a epidemia se alastrando pela cidade causando mortes. Para evitar esse desfecho o Dr. Clinton precisa ser cauteloso e o mais rápido possível. Para isso ele vai contar com a ajuda do Capitão Tom Warren (Paul Douglas), que passa quase despercebido, para capturar os criminosos Blackie (Jack Palance) o mais temido e os dois paspalhões, que podem estar contaminando outras pessoas, por isso o jovem Dr. Clinton precisa urgentemente agir e correr contra o tempo, mas o que ele não conta é que Blackie e os dois paspalhões não têm a mínima ideia do motivo de serem perseguidos.

O final é de tamanha simplicidade que nos causa até um incomodo, porém o filme tem algo que nos deixa com uma sensação de medo e damos graça quando temos um final feliz.
Exatamente vinte anos depois, estamos vivendo um verdadeiro Pânico nas ruas, mas sem o Dr. Clinton para nos socorrer e cheio de Blackie’s para nos contaminar. A epidemia se tornou uma pandemia e o que vemos são outros personagens já cheios de pânico, outros tantos em completa trama pessoal e alguns em estado avançado de histeria.
Até os sintomas são parecidos, no filme os personagens contaminados ardem em febre e precisam tomar uma vacina para assim serem salvos, na vida real temos a febre.
Hoje o que vemos é um vírus que muito provavelmente (segundo alguns estudos) já estava presente no esgoto de muitas cidades, inclusive no Brasil, um ano antes das medidas mais mirabolantes serem adotadas, que um órgão mundial ditou para nações inteiras. A semelhança desse órgão mundial com os dois paspalhões não é mera coincidência, no filme os dois paspalhões são submissos ao Blackie, que é o bandido ditador de regras, na vida real o órgão mundial é submisso a um sistema governamental. O resultado dessa semelhança é uma população sendo cassada por uma versão, mais ampla e ineficaz, do Dr. Clinton sem direito a explicações, como é no filme.
Ao contrário do filme, O pânico já tomou conta das ruas e de cidades inteiras. Assim como na vida real, no filme o contato precisa ser evitado. Na vida real o uso de máscara é um antídoto, mas um antídoto pra silenciar uma população, a máscara pode evitar comentários abusivos e é com a máscara que Dr. Clinton tenta controlar tudo o que pode causar o Pânico nas ruas, já no filme o antídoto é prender o jornalista. No filme o Jornalista tem um papel fundamental: é ele que vai apresentar informações dos acontecimentos através da sua investigação, ao contrário da vida real que o Jornalista vai dar sua opinião pautada no seu gosto ideológico, causando assim um verdadeiro Pânico nas ruas.
O que vemos fora das telas é uma verdadeira trama, muito mais rápida do que aquela que vivemos no filme. A busca por respostas faz o Dr. Clinton fazer o caminho inverso da primeira vítima já na vida real a busca por respostas é ditado por ideologias procurando novas vítimas. No filme a causa primária da epidemia é rapidamente apresentada e isolada, já na vida real a causa primária pode ser escondida por questões de diplomacia ou questões ideológicas mesmo.
Podemos considerar o diretor Elia Kazan como um profeta do apocalipse, porém ao contrário do filme, na vida real as atitudes são sem sentido, vemos a população amordaçada, silenciada e representada por verdadeiros Blackie’s, verdadeiros bandidos que buscam apenas expressar suas opiniões como verdades e do outro lado temos o indivíduo usando máscaras.

Referências Bibliográficas
Panic in the Streets – 1950 – Elia Kazan




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