top of page
Buscar

Os quatro cavalos de guarda do livro de Eli.

  • Foto do escritor: Agulheiro 310
    Agulheiro 310
  • 20 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Um pequeno texto sobre os Quatro Graus do Amor e o filme O Livro de Eli.

por Cine Clube Agulheiro 310.


Segundo São Bernardo, existem quatro graus do amor, usando a numerologia, não essa numerologia secular que estamos fadados a reconhecer como única explicação para a vida dos números, mas sim a numerologia para refletir sobre a evolução do amor no ser humano. No filme O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), podemos encontrar o amor que “cresce e amadurece por causa da presença e ação do Amor-em-Pessoa dentro de nós”. São Paulo vai nos recordar que primeiro vem o que é carnal e só depois o espiritual (1COR 15,46) e assim, para São Bernardo, amamo-nos a nós mesmos, e dirigimos nossas energias a cuidar de nós mesmos prestando atenção nas nossas múltiplas necessidades. É assim que o personagem Eli, personagem principal, é introduzido no filme, apenas pela necessidade básica de sobrevivência, a cena em que ele caça um gato silvestre para saciar sua fome é o exemplo para nos guiar no filme. Esse é o primeiro grau do amor, amor próprio, tudo que faço é para mim mesmo, como São Bernardo vai nos dizer: o primeiro grau do amor em que amamos a nós mesmos por amor de nós mesmos.

Para São Bernardo não existe problema nisso, ainda nos dá um conselho “deixe que o amor carnal por si mesmo se expanda para tornar-se um amor social”. Para que assim consiga enxergar aquilo que realmente necessita para olhar as necessidades daqueles ao seu redor e assim distribuir tudo o que tem de sobra. Se fizer isso, Deus tomará providências para que as suas próprias necessidades sejam supridas. Ninguém odeia sua própria carne, mas a alimenta e a enche de cuidados (EF, 5, 29).

O filme não pode parar, algumas cenas continuam separando o joio do trigo e os homens de ratos, e assim continua ao nascer do sol, com Eli olhando pela janela para todas as direções até que olha para cima e segue seu caminho. No meio de todo esse caos, estranhamos um homem ainda carregar consigo a chama do amor, Eli é o portador do amor, isso é evidente do início ao fim do filme. Nesse universo caótico nós somos submetidos a uma realidade quase palpável, de que o portador do amor é um ser humano que pode a qualquer momento ser assaltado, morto ou simplesmente cair em tentação. Eli está muito próximo de nós e isso nos faz refletir sobre nossa miséria humana, a qual nos deixa cada vez mais distantes desse amor.


Segundo São Bernardo, Deus trata de dispor as coisas de tal forma que às vezes nossos esforços mais diligentes em nosso favor não atingem os fins almejados, passamos necessidades e ficamos doentes, como Eli bem nos mostra, quando precisa se defender do animal inescrupuloso que se tornou o homem, parece que Deus o esqueceu, e são nesses momentos, de silêncio, que lembramos que somos incapazes de nos cuidarmos sozinhos, Eli sai da cidade sem um ferimento, sem olhar para trás, com uma única certeza: a de que Deus está protegendo-o de todo o mal que o cerca. Quando somos incapazes de nos amar é que descobrimos que podemos contar com Deus e que, quando não temos ninguém, como no caso de Eli que está sozinho em um mundo pós-apocalíptico, é n’Ele que podemos confiar. É nesse segundo grau que amamos a Deus, mas a nossa base é aquilo que fazemos por nós, amamo-nos por nós mesmos. Eli a todo instante é testado, mas o que guia seu caminho é a sua fé, uma fé inexplicável, porém constante. E assim Eli vai caminhando, passo a passo rumo ao oeste, a terra prometida, pois uma voz assim o ordenou.


São Bernardo nos diz que o amor só pode crescer passo a passo e quando olhamos para Deus para satisfazer nossa necessidade, mesmo sendo contra nossa própria vontade, assim vemos o rosto a quem estamos pedindo ajuda. “Ele está sempre ali para mim, ele sempre presta atenção em mim, mais cedo ou mais tarde atende ao meu pedido, não fica irritado com a grande frequência com que o abordo para pedir algo para mim mesmo, não pede nada em troca... ele faz simplesmente por auxílio a minha necessidade”. É esse o terceiro grau de amor, quando nos apaixonamos por Deus por Ele ser quem É. Essa nova forma de amor vem acrescentar e não diminuir; é nessa nova forma de amor que algo novo se estabelece, algo profundamente espiritual ao nosso amor. No primeiro grau de amor era o “amor por amor de mim mesmo”, no segundo “Amo a Deus por amor de mim mesmo”, no terceiro é “Amo a Deus por ele mesmo” e no quarto grau de amor é “Amo a mim mesmo por amor de Deus”. Esse é o mais belo significado do amor, à medida que nossa amizade com Deus desabrocha e se aprofunda... Ele passa para o centro do nosso amor e amamos todas as outras coisas, amamos todas as criaturas em Deus. Aqui chegamos ao ponto em que Eli guiado pela fé é o guardião de um livro, que pode mudar todo o rumo da Humanidade, dando mais poder para Carnegie, uma espécie de encarnação do mal, esse livro é a Bíblia Sagrada, deixando até os mais incrédulos homens com esperança em algo que eles não entendem: a fé. Essa que “corrompe” o mal com a Verdade, para Carnegie isso é insuportável, assim como todo o mal que não suporta a Verdade.


Depois de muito peregrinar, lutar para sobreviver, passar por desertos, tentações e demônios, Eli chega ao Oeste sem a Bíblia em formato físico, mas dita versículo por versículo, decorado e carregado por um longo caminho. Com muita fé, Eli chega ao seu destino, então Eli deita e descansa desse mundo pós-apocalíptico. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé (2 Timóteo 7-8).

Referências


The Book of Eli – 2010- Direção: Albert Hughes, Allen Hughes

BONOWITZ, Dom Bernardo (o.c.s.o). São Bernardo, O Numerólogo. Campinas-SP, 1º Edição – abril de 2019 – CEDET.

 
 
 

Comentários


©2020 Cineclube Agulheiro 310.

  • Facebook B&W
  • Instagram B&W
bottom of page