O CAMINHO PARA O CÉU – ANÁLISE DO FILME: O MÁGICO DE ÖZ – 1939
- Agulheiro 310

- 17 de fev. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de fev. de 2020
A história começa com Dorothy, junto com seus problemas diante do mundano. São representados pela sua insatisfação com a Senhora Gulch, que sempre ataca o cachorro Totó pelo comportamento agressivo que tem para com seu gato.
A frustração faz Dorothy não pensar com tanta lucidez nos aspectos da vida, representado pela cena em que confessa sua ira para Tia Em, e seu Tio Henry, no momento em que ambos estão cuidando de pequenos pintinhos, porque a incubadora enguiçou, podendo significar a morte de muitos caso não sejam tomadas providências rapidamente.
Dorothy é uma boa pessoa, que se importa com os pintinhos, mas acaba entorpecida por baixas emoções como a raiva, e não percebe a situação com clareza.
Os pintinhos podem representar cada ser humano, os quais às vezes por motivos puramente egoístas acabam por não se importarem uns com os outros, que logicamente também possuem seus problemas. Depositamos todo nosso esforço em prol de súplicas e vitimismos para que resolvam nossos problemas.
Há uma menção sobre acusar sempre os outros como origem da nossa decepção, quando simplesmente poderíamos observar por outra perspectiva. No caso da menina bastava não mais passear com Totó em frente à casa da Sra. Gulch. Ela insiste nas condições que propiciam o problema, não admite que a raiz se encontra nela mesma, prefere acusar e se vitimizar.
Após algum tempo, a Sra. Gulch aparece e reivindica Totó, tomando-o para si, ele escapa e retorna para menina, que após tamanha melancolia, palpita de felicidade e acaba fugindo de casa para que não mais o encontrem. Na estrada se depara com um vidente, que aconselha-a que retorne para casa indiretamente, elucidando de forma metafórica o sofrimento que ela causaria aos seus familiares caso continuasse por aquele caminho, então a menina arrependida, por amor verdadeiro, retorna. O amor a fez não mais se preocupar com os pequenos impasses da vida, resolvendo seu problema, observando então de uma maneira mais ampla, seu egoísmo fora resolvido.
Dorothy chega em casa ao decorrer de um tornado, o qual representa o inferno, a confusão. Ela venceu seus problemas, e acaba por desmaiar. É guiada para outra dimensão em seus sonhos, uma viagem extrafísica, ou para seu interior. Logo que chega, a representação da sua sombra, dos problemas que superou é exposta pela Bruxa Má do Leste, estendida morta abaixo da casa.
Agora, Dorothy é digna de maior lucidez para seu crescimento, não está mais presa nos erros do passado, embora esteja extremamente confusa. Subsequentemente aparece Glinda, a Bruxa Boa do Norte, que representa uma entidade elucidada, pura e com pensamentos elevados, que guia a menina na medida certa, ela pode ser como um anjo, uma alma caridosa que sempre auxiliou Dorothy sem que perceba.
Diz a ela para encontrar com o Mágico de Oz.
Ela presenteia a menina com os sapatos de rubi, uma representação da ligação entre plano físico e plano extrafísico, o cordão de prata, o símbolo de seu crescimento, o que está acima é como o que está abaixo na filosofia oculta hermética, embora para chegar até o mágico, ela precisa seguir pelo caminho de tijolos amarelos, que simboliza o caminho dourado para o paraíso, capaz de quebrar o ciclo de sofrimentos da alma, este objetivo é representado pela cidade das esmeraldas, ou o próprio paraíso.
O caminho é perigoso, agora ela se defronta com outro problema, a Bruxa Má do Oeste, que representa os problemas que enfrentará no decorrer de sua caminhada para o céu. Trata-se duma bruxa ainda mais poderosa que a do leste, ela representa o plano espiritual, enquanto a do leste representava o plano físico material, com problemas aparentemente mais fáceis de serem revolvidos, embora inter-relacionados.
No decorrer do caminho ela encontra personagens de extrema importância:
O Espantalho - Não possui cérebro, mas possui coragem e coração. Sem inteligência todos os pensamentos se dissipam e voam como palha, de nada vale o conhecimento, informações, sem direcionamento para torná-los sabedoria.
O Homem de Lata - Não possui coração, mas possui cérebro e coragem. A lata representa muito bem algo duro, mecanizado, caso se torne sentimental poderá até acabar enferrujado.
O Leão – Não possui coragem, mas possui cérebro e coração. Ele representa a hesitação que todos possuímos no enfrentamento de nossos problemas.
Os três personagens juntos, representam todas as virtudes necessárias para atingir o logos divino, mas somente quando estão em equilíbrio. Suas funções podem representar de forma superficial os chacras energéticos, os quais estendem-se nas virtudes e dificuldades pessoais da vida, limpos ou sujos, junto aos pecados capitais e virtudes.
Ao prosseguir no caminho da iluminação, passam por outros testes, e adquirem gradativamente virtudes que tanto almejam, sem nem mesmo perceberem, a providência divina em ação.
São enviados pelo Mágico numa missão que os tornaria dignos de terem seus respectivos desejos atendidos, receber um cérebro, um coração e coragem. Vencem a Bruxa Má do Oeste, ou seja, vencem os problemas do caminho dourado para atingirem o céu.
Quando retornam a cidade das esmeraldas para receberem a recompensa, acabam por descobrir que o Mágico de Oz não existe, é uma mentira sustentada por um farsante. Ou seja, a real sabedoria não se encontra no final do caminho, mas na estrada, quando chegamos ao final já possuímos o que esperávamos com anseio logo de início, ou que no mundano jamais sentiremos de fato o verdadeiro e maior amor de Deus.
O Mágico de Oz então, apenas esclarece para os personagens, que cada pessoa pode conseguir o que deseja espiritualmente, que muitas vezes não acreditamos que somos capazes, não acreditamos em nós mesmos e fundamentalmente em algo que nos transcende, este seria o problema fundamental, que nos mantêm parados mortos em meio aos tornados de sofrimento.
Dorothy volta para casa, estoura todo seu amor para com seus familiares, o melhor lugar é nosso lar. Ela se torna puro amor junto à família como representação do próprio Deus na Terra, que um dia além do arco-íris confortará todas as dores.





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