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Montanha dos Sete Abutres e as Fake News

  • Foto do escritor: Agulheiro 310
    Agulheiro 310
  • 17 de mai. de 2020
  • 4 min de leitura

Montanha dos Sete Abutres e as Fake News – Uma pequena análise do filme A Montanha dos Sete Abutres (parte I).

Quando você acredita que Fake News é apenas notícia falsa, utilizando a grande mídia como fonte para essa “informação”, você já caiu no engodo das Fake News.


A Montanha dos Sete Abutres (1951), dirigida por Billy Wilder, pode nos ensinar algo sobre Fake News, mesmo que não seja esse o objetivo do filme.


Chuck Tatum é um repórter sem escrúpulos e ambicioso, descontente trabalha em um pequeno jornal no interior do Novo México, mais precisamente em Albuquerque Sun Bulletin, recebendo alguns trocados e esperando uma oportunidade para trabalhar em alguma grande mídia. Tatum é exemplo fiel do homem miserável o qual não mede esforços para seus objetivos mesmo que tais objetivos sejam baseados na mentira e na maldade humana.

Prova disso é apresentada quando esse jornalista encontra Leo Minosa, homem humilde e filho de uma mulher de muita devoção. Tal encontro ocorre por um acontecimento do destino, talvez sem importância para muitos ocupados do dia a dia. Leo vai procurar algum objeto para vender em sua loja quando fica preso na caverna da Montanha dos Sete Abutres, uma caverna sagrada para alguns índios da localidade, Tatum vê nesse “acontecimento banal” a sua grande oportunidade, oportunidade de ouro, para sua ascensão como repórter e seu retorno para a grande mídia.

O miserável Tatum vai chantagear autoridades locais para retardar o resgate de Leo, um resgate que durariam horas, passa a ser contado em dias. Tatum vai chantagear o corruptível xerife, que por sua vez, corrompe o engenheiro para que o resgate de Leo seja o mais demorado possível, rendendo assim “boas notícias”.

Tatum é um repórter ardiloso, um verdadeiro patife como nos alertará a senhora Lorraine Minosa, esposa de Leo, que consegue fazer de um simples acontecimento um grande circo, mudando até o comércio local e a vida daquela pacata cidadezinha, trazendo pessoas de todos os lugares que estão em busca de diversão e que encontram nessa tragédia armada, enquanto Leo está lá soterrado no antro da Montanha dos Sete Abutres. Leo não sabe realmente o que está acontecendo em seu redor, mas só pensa em salvar sua pobre alma quando pede para o Padre Diego o Sacramento da confissão.

Fake News é um termo que foi popularizado por Donald Trump em 2017, e utilizado maciçamente pela grande mídia, causando certa desconfiança, uma vez que a grande mídia tem sua base voltada para um viés politizado e ideologicamente duvidoso.

A expressão interpretada literal e superficialmente é um erro cometido por uma grande parcela das pessoas “cultas”, é um perigo, pois o termo é tratado apenas como criar notícias falsas e não como uma informação que se adeque a uma narrativa ideológica. Na verdade Fake News é um jogo psicológico que vai deturpar a percepção do leitor.

Existem vários tipos de Fake News como as inofensivas paródias ou aquelas utilizadas para manipular a opinião pública para seus interesses ideológicos, como estão estampadas nos grandes jornais nacionais e mundiais.

Numa conversa com o Senhor Boot, dono do jornal que está prestes a trabalhar, Tatum diz que é um ótimo mentiroso e que ele pode sair na rua e morder um cachorro para lhe render uma história, exemplo de como pode utilizar das Fake News para suas matérias. Ele vai falsificar os fatos para construir uma narrativa que lhe renda um emprego novo em uma grande mídia. Tatum vai manipular as manchetes do pequeno jornal de Albuquerque para atrair mais prestígios no meio jornalístico, essa prática é muito comum nas grandes mídias atuais, utilizando eufemismos para amenizar ou agravar a verdade.

Tatum utiliza uma expressão da psicologia, que é usada também na Programação Neurolinguística (PNL), palavras que despertam reações automáticas deturpando a percepção do leitor, essa expressão é chamada de “palavras-gatilho”, são elas que vão ditar o valor do significado de acordo com a narrativa que se quer alcançar.

Ele também é criterioso no uso de imagens, cria situações que favoreçam suas matérias, quando obriga a Senhora Lorraine Minosa ir para a igreja para ser fotografada com um rosário na mão, vemos claramente o objetivo na fotografia, pois são as imagens, pontos-chave, que vão criar um herói para vender suas histórias, são elas que vão transformar Leo Minosa em herói ou em vilão, como em alguns casos atuais, é por meio dessas imagens que Tatum vai apresentar ao mundo, sedento por notícias ruins, essas que vendem mais, como afirma Tatum, a sua criação.

Tatum através da corrupção de seus pares vai criar um consenso fabricado, ou seja, aqueles que ousarem ficar contra a maioria serão fadados ao erro. Quando Tatum proibiu as outras grandes mídias de cobrirem a história de Leo Minosa, observamos como ele conduz os fatos.

Só existe um problema que Tatum não consegue resolver, o seu confronto com a verdade, assim como toda e qualquer Fake News, ao ser confrontado com Tell The Truth, Chuck Tatum se vê perante um espelho que refletia seu verdadeiro caráter, um homem miserável que busca com Fake News conduzir a verdade.




 
 
 

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©2020 Cineclube Agulheiro 310.

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